“Acreditar no destino é uma parada perigosa. Ainda que tenha um ‘quê’ de romântico, pensar que as coisas estão escritas em algum lugar, que estamos destinados a ser algo, a conhecer alguém, a conquistar tal coisa, é mesmo uma armadilha.

Esperar que algo aconteça na nossa vida, ou aceitar que algo está acontecendo pois é “nosso destino” não me parece o melhor jeito de aproveitar esses poucos anos que nos foram dados dentro os bilhões que a Terra possui. Pelo contrário, soa como desperdício.

E tenho sentido isso cada dia mais, com mais força. Que por mais que seja difícil, e que fatores diversos façam o caminho que eu quero ser um pouco mais espinhoso, o meu destino é só meu. Eu faço dele o que eu bem entender. E isso com todas as merdas que podem acontecer no meio disso tudo. Com isso, não há como lutar. Mas assistir sua vida se moldar ao que está sendo feito dela, como um musgo que cresce na superfície de um objeto que foi deixado de lado há tempos sob a ação do tempo, não pode ser uma opção.

Eu posso sentar e me perguntar por que raios as coisas não dão certo pra mim como dão pra outras pessoas? Claro. Fazer isso inclusive gera um sentimento de autocomiseração que não é de todo ruim. É quentinho, é aconchegante, é gostosinho entrar na bad e ficar lá, sentindo uma peninha de si mesmo.

Vamos lá: eu acho mesmo que dá pra curtir um pouco a bad. Acho necessário. Viver eternamente com a sensação de que você não pode baixar sua guarda ou se sentir mal é horrível. Sufocante.

Meu problema é quando eu acabo me sentindo confortável demais nessa posição. E sair disso começa a parecer mais difícil, mais assustador, mais perigoso. Porque vai virando uma coisa familiar. A qual eu vou ficando acostumada.

E começo a pensar que talvez esse seja meu destino. Talvez eu tenha que simplesmente aceitar que é assim que as coisas são, e que por mais que eu queira uma vida diferente, “querer não é poder”, etc etc etc.

Cala a boca!

Não dá pra ser educadinha, fofinha, boazinha comigo nessas horas.

Eu sou uma pessoa privilegiada de muitas maneiras e posso sim definir muito do que vai acontecer na minha vida. Eu reconheço que muita gente aí fora no mundo não tem os mesmo privilégios que eu (a começar por coisas básicas que um ser humano precisa pra viver e se desenvolver), e por isso mesmo valorizar o que eu tenho e o que eu posso conseguir é o mínimo que eu posso fazer.

Tomar as rédeas da minha própria vida (ainda que com ajuda, que não é vergonha nenhuma admitir que a gente precisa) e seguir em direção ao que eu quero, ao que me motiva, me excita, me faz feliz, me coloca um sorriso no rosto, é o mínimo que eu posso fazer por mim mesma, e ao mesmo tempo, o mais legal.

Fomos colocados aqui. Soltos. Livres. Sem muito sentido na vida. Fomos colocados sem destino, também.

Ficar esperando, vendo a vida passar pelos meus olhos tal qual bolotas de feno de filme de faroeste? Não, obrigada.

Com licença que eu vou pegar aqui essa vida e levá-la pra passear. Vou dizer que estou apaixonada, quando estiver. Vou falar pra alguém que eu quero ser amiga dela, quando quiser. Vou expor minha opinião, quando achar que devo. Vou me oferecer, quando achar que cabe. Vou me desdobrar em cinco, vou dormir menos, vou arriscar mais, vou ter menos medo, vou aceitar o tempo, vou criar as oportunidades, vou agarrar as que aparecerem, vou vibrar com o que rolar, vou superar o que der merda, vou tentar, vou insistir, vou sublinhar, vou ser trouxa, vou lutar. Vou sair da inércia. Vou me apegar a essa sensação que volta a preencher meus pulmões, aos poucos e não vou largar mais. Viver, acho que é esse o nome. Não sobreviver.”

Ótimo final de semana a todos! Beijos

Sarah

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Written by Sarah