Oi gente! Tudo bem com vocês?

Sexta-feira e textão para refletir. Escrito por Joana Cannabrava.

“Sofrimento não é algo ruim, é até bem bom, desde que você coloque ele para fora.

Todo mundo diz que as melhores coisas acontecem quando a gente menos espera. Tem dias que acredito de olhos fechados em clichês como esse, mas tem hora que eles parecem apenas frases engraçadinhas para compartilhar no facebook. Quando a gente briga com a vida isso acontece com mais frequência, já quando fazemos as pazes, pronto! Os clichês voltam e as motivações se tornam viscerais de novo. Somos humanos, somos cíclicos. No entanto podemos viver os ciclos em espiral, sem nunca passar pelos mesmos lugares.

Acredito piamente na necessidade de viver a alegria da conquista mais feliz até sentir a tristeza mais dolorosa de cada luto. Pra mim, sentir a dor de um fim é tão necessário quanto morrer de rir de uma coisa engraçada. Cada fase tem sua importância, cada uma delas tem seu tempo e elas sempre mudam a gente.
Não importa se você está se recuperando de um susto, de uma tragédia ou apenas de uma desilusão, seja com a família, com o amor, a carreira ou uma pessoa próxima. Não importa quanto tempo você demore nisso. Não importa se a forma que você vai fazer essa fase passar, através do choro, de um desabafo, de uma corrida, de noites sem dormir ou mesmo através de uma carta que talvez nem seja enviada. A única obrigação é deixar ir embora.

Já existem diferentes linhas de conhecimento que associam as doenças à somatização de problemas, questões, dores ou mesmo à palavras não ditas. Engolir sapo as vezes é importante, mas dependendo do jeito que ele é engolido, pode fazer mal, pode até ser cancerígeno.

Rancor mata. Silêncio adoece. Decepção dá alergia. Mágoa dá cistite. Raiva da rinite. Culpa dá insônia. Remorso, dor de barriga. Ou qualquer coisa desse tipo, não existe ordem, nem regra.

Podemos ter todos esses sentimentos, aliás, todos temos. Porém não podemos guardar eles conosco pra sempre, remoendo eternamente aquilo que não nos faz bem. Precisamos treinar nosso corpo, alma e coração para aprender a externar as coisas, respeitando obviamente onde começa e termina o direito do outro.

Quem nunca teve um rompante ou destempero que atire a primeira pedra. Eu tive vários durante minha adolescência e alguns durante minha vida adulta, mas hoje em dia percebo que não precisamos ser avassaladores ou tratores. Mudar a linha de terapia funcionou pra mim. Parei de desejar consertar coisas específicas e comecei a aprender a me acolher, a me conhecer e assim, aos poucos, fui aprendendo a reagir melhor nas mais diferentes situações.

Esse tal de Jung é mesmo um cara sensacional. No caminho da psicologia transpessoal eu me vi descobrindo uma nova Joana. Também cheia de falhas e imperfeições, mas mais capaz de se colocar, de externar suas frustrações, de acolher seus defeitos , tomar ciência das suas qualidades e compreender que existem formas muito variadas de se expressar, inclusive o silêncio. Sei que falei ali em cima sobre o mal que dá engolir sapos, mas tem situações que se desgastar fará mais mal do que silenciar, só temos que aprender a escolher nossas lutas.

Para quê viver se alimentando do que você não gosta? Para quê ler notícias de um parente que não te faz bem? Para quê espiar o instagram daquela pessoa que não te inspira nada de bom? Eu acredito que a gente atrai o que a gente vibra, já falei isso mil vezes.

Não gostou daquilo? Não te fez bem? Não combina com seus valores? Deixe ir embora. Não guarde sentimentos que podem te deixar doentes.

Claro que não alcancei a plenitude e não vivo tudo isso o tempo todo. Se o tivesse feito talvez eu já tivesse iluminado e nem mais fosse de carne e osso, mas com certeza ter consciência desse processo deixou a minha vida mais leve. Com isso parei de ter medo de palavras, boas ou ruins. Passei a dar nome à raiva, inveja, mágoa, rancor e entender que é possível colocar isso para fora de uma maneira saudável. Comecei a externar de forma clara o que eu sinto sobre as coisas, passei a dar nome aos bois sem medo. Quando admiti ser mais frágil, fiquei mais forte.

Recentemente passei duas situações complicadas com sentimentos ruins, uma decepção e uma mágoa, daquelas que a raiva fica voltando o tempo todo. Numa delas tomei consciência do problema, fiquei triste, chorei, até fiquei doente, mas passou. Desabafei sobre o tema e quando falei em alto e bom som quais eram os problemas, me escutei. Ao fazer isso deixei o coração assimilar o fim e alguns dias depois me vi outra pessoa, bem mais leve, com a decepção superada.

A questão com a raiva foi mais difícil, naquela situação foquei tanto em ser legal que anulei uma parte importante do processo. Quis tanto passar uma imagem de bem resolvida que deixei de dizer o mais importante: eu fiquei com raiva de você! O tempo estava passando, aquele fantasma me visitando toda noite e atrapalhando meu sono, mesmo eu já não querendo aquele problema pra mim. Tudo tomou outro caminho no exato momento em que eu escrevi tal frase e apertei no “enviar” do email. De um dia para o outro aquele assunto que já estava me assombrando por semanas passou.

Eu havia me permitido externar algo que estava remoendo dentro de mim. Aceitar que eu sentia raiva e não queria mais falar com a pessoa naquele momento foi bom pra mim. De nada havia adiantado “terminar” sendo fofa se eu não pude ser honesta com relação ao que eu sentia.

Muitas vezes entubar certos pensamentos traz angústia, que é um sentimento que facilmente tira nosso sono e acaba com nosso sossego.

Aceitei que mesmo sendo uma pessoa boa eu posso sentir raiva, inveja ou rancor. Ao aceitar esse meu lado não tão virtuoso eu externei, e ao o fazer isso, eu fiquei bem.

Nessa hora percebi que gosto muito dessa nova versão de mim. A gente colhe aquilo que planta e não dá para plantar reclamação achando que colherá sucesso. Não é possível cultivar rancor e obter leveza, amor e felicidade. De outra forma, além de não colhermos nada, ainda morreremos envenenadas pelo nosso próprio veneno.”

Joana Cannabrava

Beijos e um ótimo final de semana a todos vocês!

Sarah

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Written by Sarah